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Queloide

Queloide

O queloide é um aumento aberrante de tecido cicatricial, que normalmente ultrapassa os limites da ferida ou da cicatriz original. Pelo seu comportamento de crescimento desordenado, é considerado um tumor dérmico fibroproliferativo, isto é, um tumor da pele benigno, cujo componente celular da cicatrização está exacerbado. A causa exata do queloide é desconhecida, apesar de serem conhecidos alguns mecanismos que contribuem para sua formação. Em linhas gerais, o que ocorre é uma incapacidade de “desligar” o processo de cicatrização, resultando em uma amplificação anormal desse processo. Uma quantidade exagerada de colágeno é depositada no sítio da ferida, o que causa o aspecto e a consistência típicos do queloide. Existe algum grau de predisposição genética ou familiar ao aparecimento de queloides. Até o presente momento, no entanto, não existe nenhuma base genética consistente para que se possa associar essa predisposição a um gene ou a um grupo de genes isolados. O fato dos queloides serem até 15 vezes mais frequentes em indivíduos de pele negra indica algum grau de predisposição desse grupo. O tratamento do queloide conta com diversos recursos, como a cirurgia para sua retirada parcial, a aplicação de compressão local, o uso de medicações locais e intralesionais, como os corticoides e alguns quimioterápicos, e o uso de radioterapia, de diferentes formas. Em se tratando de um queloide verdadeiro, o índice de recidiva é relativamente alto, e a evolução, de difícil previsão. Entre as condutas terapêuticas, destacam-se o uso de radioterapia local, betaterapia (radioterapia), placas de silicone, injeções de corticosteroides, fitas oclusivas de corticosteroides, cirurgias redutoras, terapia fotodinâmica, criocirurgia (congelamento do local) e laserterapia. E o uso combinado destes tratamentos tem-se mostrado eficaz.  No geral, o tratamento é variável de acordo com tamanho e local do queloide. Outro fator importante é o acompanhamento pós-cirúrgico (média –1 ano) para minimizar possibilidades de recorrência.

Cicatriz hipertrófica

Uma outra condição que se confunde com o queloide é a cicatriz hipertrófica, condição de cicatriz endurecida e com relevo que tem diversas características em comum com o queloide, mas que se difere, principalmente, pelo seu caráter de crescimento limitado, pela possibilidade maior de se associar sua causa a condições locais conhecidas e pela resposta ao tratamento, frequentemente melhor do que a do queloide verdadeiro.

No caso da cicatriz hipertrófica, existem alguns fatores predisponentes mais conhecidos, como nos casos de feridas fechadas sob tensão, onde existe uma força de tração lateral que tende a “esgarçar” as bordas, provocando uma resposta cicatricial maior na tentativa de o organismo manter aquela área íntegra. A mobilização exagerada, assim como traumas sobre a cicatriz, podem também contribuir para essa condição. Parece existir também algum grau de predisposição ao aparecimento da cicatriz hipertrófica.

A associação dessa predisposição a um caráter genético ou familiar, no entanto, parece ser menor do que a que ocorre com os queloides. Existem diversas formas de tratamento das cicatrizes hipertróficas e, talvez, a resposta a esses tratamentos seja a maior diferença destas para os queloides verdadeiros. A retirada completa da cicatriz hipertrófica, com a confecção de uma nova cicatriz e acompanhamento clínico, costuma produzir bons resultados, em contraste com o que ocorre no primeiro, onde a retirada total dificilmente produz bons resultados. Peelings e outros tratamentos locais, como o uso de lasers, também podem ser eficazes. É importante que saibamos que a diferenciação de queloides das cicatrizes hipertróficas não é simples, muito menos consensual dentro da medicina, principalmente para as formas intermediárias. Somente um especialista qualificado pode estabelecer propostas de tratamento, baseado no diagnóstico, que deve levar em conta um grande número de fatores.

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